Já encontrou uma exposição de arte moderna e outra de arte contemporânea no mesmo lugar? É o que está acontecendo no prédio da Bienal, onde estive no último fim de semana.
Em Nome dos Artistas reúne nomes novos e consagrados de arte pop e arte conceitual dos últimos 30 anos, sendo a maioria de origem americana. Depois de passar pela entrada, deparei-me com obras de Damien Hirst no primeiro pavimento. Quase todas fazem alusão direta à morte, o que eu sempre espero, conhecendo sua produção. A mais interessante é
Mãe e Filho Divididos, em que uma vaca e um bezerro foram cortados minuciosamente ao meio e suas metades inseridas cada uma em um tanque de vidro cheio de formol. É possível passar entre elas e ver os órgãos internos dos animais (eu não esperava que fosse achá-los tão bonitos). Segundo o curador, o artista Damien Hirst foi selecionado, apesar de ser inglês, por sua influência na arte produzida atualmente. O segundo grande nome, e influência, da exposição, é o americano Jeff Koons. Há obras antigas, como duas "pinturas" que retratam pornograficamente ele e sua esposa à época, Cicciolina, e recentes, como grandes pinturas hiperrealistas feitas por seu ateliê, que poderiam ser consideradas uma "colagem" de elementos formando composições situadas entre o pop e o kitsch. Suas famosas esculturas de porcelana de Michael Jackson com seu macaco e de si mesmo com Cicciolina não estão na mostra (uma pena!). Outros artistas acompanham Koons na temática sexual, utilizando-se da nudez até a pornografia. Pequenos espaços com acessos relativamente discretos estão espalhados pela exposição com placas nas entradas que alertam contra o ingresso de menores de 18 anos. Um deles, muito especial (e escondido), no espaço de Richard Prince, tem duas fotografias - uma é a famosa e "escandalosa" foto da atriz Brooke Shields, com 10 anos quando foi retratada. Koons e Prince dividem o terceiro pavimento com outros artistas como Matthew Barney, Cindy Sherman, Nan Goldin e Tom Sachs, que deixam a desejar pelo número reduzido de obras. Porém, no geral, a visita é compensadora. Os artistas novos ficaram com o segundo pavimento, espremidos e ofuscados pelos nomes famosos da exposição. A prática de combinar novos e velhos artistas tem se tornado comum, mas é arriscada e deve ser cuidadosamente planejada. Nesta exposição o isolamento dos novos no segundo pavimento evidencia ainda mais a falta de amadurecimento profissional e pode deixar a impressão de que são meras apostas da instituição que os seleciona, em vez de atingir o óbvio propósito de os promover. Para deixar esta exposição e seguir para a outra eu soube que teria de sair do prédio e acessá-la pela outra entrada, uma rampa em espiral atrás do edifício.

Modernismos no Brasil insere, através de obras de artistas nacionais e estrangeiros intercaladas, o Brasil no contexto histórico-artístico dos estilos e movimentos modernistas internacionais. É uma pequena e consistente viagem por grandes expoentes do passado. Lá estão obras de Lucio Fontana (uma de suas telas cortadas), Alexander Calder (móbile), Max Bill (escultura), Hércules Barsotti (pintura), Sacilotto, Josef Albers, Mira Schendel, Volpi (pinturas), Brecheret (esculturas), Lívio Abramo, Matisse (pintura), Ismael Nery, Picasso (uma pintura cubista), Flávio de Carvalho (desenhos), Francis Picabia (pintura), Marcelo Grassmann, Geraldo de Barros, Lasar Segall, Paul Klee, Di Cavalcanti, Anita Malfatti, Fernand Léger, Kandinski, Iberê Camargo, George Grosz, Goeldi, Massimo Campigli, Guignard, Max Ernst (uma incrível pintura), Tarsila, De Chirico, Rebolo, Pennacchi, Pancetti, Morandi, Ianelli... Em geral uma ou duas obras por artista, mas criadas em importantes e significativos momentos de suas carreiras. Quem não tiver se saciado com a primeira exposição com certeza se fartará na segunda.
Clique nos nomes das exposições logo abaixo para ver fotos de obras, textos e informações.
Onde: Pavilhão Ciccillo Matarazzo - Parque do Ibirapuera - portão 3 - Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, São Paulo - Tel.:(11) 5573-9932
Quando: de 30 de setembro a 9 de dezembro de 2011
Horário: terça a domingo das 9h às 19h (entrada até as 18h), exceto quinta, das 9h às 22h (entrada até 21h)
Onde: MAC USP Ibirapuera - Pavilhão Ciccillo Matarazzo, 3º piso - Parque do Ibirapuera - portão 3- Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, São Paulo - Tel.:(11) 5573-9932
Quando: de 6 de outubro de 2011 a 29 de janeiro de 2012
Horário: terça a domingo das 10h às 18h
Entrada: gratuita
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