25/12/2011

Arte Brasileira do Séc. XXI no Tomie Ohtake



O Instituto Tomie Ohtake vem desempenhando um papel significativo na formação das novas gerações da arte contemporânea brasileira, através de diversas formas de apoio. A exposição "Os Primeiros 10 anos" é a mais recente, e provavelmente a maior, destas suas ações. No texto de apresentação há uma constatação bastante consciente de que a diversidade da produção não permite reduzi-la a uma tendência. A escolha do nome da mostra demonstra bem a proposta de indicar quais poderão / deverão ser os rumos da arte brasileira - não se tratou de olhar para trás e fazer uma retrospectiva, mas de tomar o passado próximo como ponto de partida para o que virá. 

Em parte das obras, há a opção tradicional pela técnica como resultado, caso das pinturas de Rodolpho Parigi e de Thiago Martins de Melo, que  atem-se aos seus temas e fazem lembrar das última pinturas de Jeff Koons, pela composição estruturada como uma colagem de diversas figuras. A tela de Rodolpho segue sua última linha de pinturas saturadas de tons que partem da cor magenta e que misturam elementos eróticos e pop, enquanto a de Thiago combina imagens realistas com gravuras medievais da inquisição católica.

Nas pinturas de Rafael Carneiro, Bruno Dunley e Mariana Serri, há de se ressaltar a interação do processo com a tecnologia. Nelas há uma espécie de revisão de imagens originadas em câmeras fotográficas ou de vídeo e em computador, cuja pesquisa dá especial atenção à artificialidade formal. Por sua vez, o efeito trompe l'oeil, típico das pinturas, é explorado na instalação de Nicolás Robbio, em um jogo de luzes que projetam nas paredes desenhos de persianas.

Enquanto parte dos artistas trabalharam na reformação da  imagem na pintura, Detanico Lain, Marilá Dardot e Fábio Morais optaram pela reformação da apresentação da linguagem idiomática. O trabalho de Detanico é extremamente conciso e não chega sequer a constituir uma frase. A expressão "New Roman Times" de letras coladas na parede, mais do que uma brincadeira com o nome da fonte tipográfica, traduz bem o movimento geopolítico que avança sobre as nações. Um livro que trata do amor com páginas transparentes ressalta o viés essencialmente poético de Marilá. As obras de Fábio exigem do observador, ou melhor, leitor, modos extraordinários de apreensão de textos, e sua decifração vale cada esforço.

A instalação de Jonathas de Andrade, a seu modo, também requer uma percepção não-ortodoxa - um "projeto" de "desconstrução" de uma casa, que ocorre através de sua degradação, registrada por fotos e por uma maquete. É a antítese do trabalho de um arquiteto - um não-trabalho de desconstrução.

Dos vídeos, destaco a instalação de Alice Miceli, formada por uma parede de televisores com curtas cenas de filmes em loop, em que atores parecem agonizar ou ter orgasmos. É difícil identificar o que ocorre em algumas delas, pois as imagens focam seus rostos, não possibilitando ver a cena toda. Uma das imagens, com uma atriz, realmente me perturbou (v. foto acima). Apreciei bastante o modo habilidoso da artista explorar a encenação descontextualizado-a do filme, linear, e agregando a outras tratadas com igual potência.

Os Primeiros 10 Anos
Instituto Tomie Ohtake - Av. Faria Lima, 201 (entrada pela Rua Coropés), Pinheiros, São Paulo - Tel.:(11) 2245-1900
De 13 de dezembro de 2011 a 26 de fevereiro de 2012
De terça a domingo das 11h às 20h
Entrada gratuita


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