13/12/2011
Contemporâneos no Itaú Cultural (SP)
Na semana passada fui ver a exposição Caos e Efeito no Itaú Cultural, organizada por cinco curadores bastante ativos no atual circuito artístico. Muitas obras, feitas por muitos artistas, foram distribuídas por três andares do prédio da instituição. No primeiro andar encontrei trabalhos curiosos em que pinturas foram feitas sobre quadros de quebra-cabeças montados, tendo alterado suas imagens de paisagens, de autoria de Alexandre Vogler. Em um primeiro instante não percebi a intervenção da pintura, mas ao me aproximar eu pude notá-la. No mesmo andar havia um registro com textos e fotografias de uma ação muito criativa de Fernando Piola, que se "infiltrou" no 36º DP de São Paulo para substituir o jardim verde por outro de folhagem vermelha, em referência à luta da esquerda contra o regime militar na época em que o prédio era ocupado pelo DOI-CODI. No andar -1 estabeleceram-se relações entre diferentes formas de arte, de diferentes épocas, a fim de propor uma discussão sobre as origens de uma questionável identidade nacional. Dentre as obras, pinturas e ilustrações do designer Alexandre Wollner. No espaço ao lado, curado por Fernando Cocchiarale, a ênfase foi dada à atitude transgressora de artistas a partir dos anos 70, incluindo a formação de coletivos. Em uma das paredes encontrei um tipo de história em quadrinhos, mas montado, literalmente, em quadros emoldurados, feita pelo artista Ducha. Eram textos bem humorados acompanhados de desenhos de alguns happenings. Mas este espaço estava comportado comparado ao que encontrei no andar -2. Antes de descer pela escada um aviso na parede alertava para a não entrada de menores. Aos poucos fui descobrindo onde estava o "caos" do título da mostra. Tive dificuldade de identificar e individualizar algumas das obras, visto que a anarquia da montagem misturava uma espécie de cenografia urbana decadente com as obras, constituindo quase que uma coisa só e que, segundo uma das monitoras, está sendo constantemente modificada. Gostei das pinturas sombrias em telas grandes de Thiago Martins de Melo, com cores e climas que lembram filmes B de terror. Havia vídeos com registros de performances provocativas do Grupo Empreza e um vídeo com montagem pornográfica de Yuri Firmeza, em que ele interage consigo mesmo.
Av. Paulista, 149 (estação Brigadeiro do Metrô), tels.: (11) 2168-1777, São Paulo
De 23/10 a 23/12/2011
De terça a sexta das 9h às 20h
Sábados, domingos e feriados das 11h às 20h
Entrada gratuita
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